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PIRATAS
DO CARIBE OU PIRATEANDO O CARIBE
Tarcisio
Ferreira aka Selektah
Piratas
do caribe... PARTE I
Tarcisio
Ferreira aka Selektah
Uma
nova polêmica esta movimento a cena
Reggae de São Luis, Fortaleza e de
Belém, com o possível aparecimento
de cópias piratas de discos de vinil.
De bate pronto isso fere a índole e
o orgulho de qualquer colecionador digno desse
nome.
Um
colecionador de obras de arte não quer
ter uma obra falsificada em sua coleção
por que tal fato e ato mancha sua reputação
no meio do seleto grupo de aficionado ao metiér.
Bom, mas para começo de conversa e
antes de qualquer coisa e para sermos didático,
vamos definir o que vem a ser a pirataria
sob a ótica do dicionário e
da justiça.
O
que é Pirataria?
Um
pirata (do grego pe??at??, derivado de pe????
"tentar, assaltar", pelo latim e
italiano pirata) é um marginal que,
de forma autônoma ou organizado em grupos,
cruza os mares só com o fito de promover
saques e pilhagem a navios e a cidades para
obter riquezas e poder. O estereótipo
mais conhecido do pirata se refere aos Piratas
do Caribe e cuja época áurea
ocorreu principalmente entre os séculos
XVI e XVIII.
Atualmente
o termo é utilizado para se referir
à cópia não-autorizada
e à distribuição ilegal
de material sob direito autoral, especialmente
música, imagem, vestuário e
software. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirata
Assim,
modernamente se defini a pirataria como a
atividade de copiar, reproduzir ou utilizar
indevidamente, isto é, sem a expressa
autorização dos respectivos
titulares, software ou qualquer outra obra
intelectual legalmente protegida.
Aos
olhos da lei, trata-se do crime de Violação
de Direito Autoral, previsto no Código
Penal, no art. 184, e, na Lei n. 9.610/98,
também, conhecida como “Crime
de Pirataria”, alusão feita aos
piratas, corsários e saqueadores que
pilhavam navios que transportavam mercadorias,
dizimando suas tripulações,
principalmente, entre os séculos XVI
e XVIII, nos mares navegáveis.
Atualmente, considera-se Pirataria o “crime
transnacional com repercussão mundial,
de grande complexidade, gerenciado por máfias
internacionais ligadas ao crime organizado
que ignoram e desrespeitam as legislações
nacionais que regulam os Direitos Autorais,
a Saúde e Segurança Públicas
e a Economia das Nações, e,
que estão fortemente relacionados com
outros delitos, como a lavagem de dinheiro,
o narcotráfico e o tráfico de
armas e munições, e cujo combate
não pode prescindir da forte atuação
do Estado e da Sociedade Organizada”
(III Relatório de Atividades –
Conselho Nacional de Combate à Pirataria
- Ministério da Justiça).
Além disso, pode-se dizer que a pirataria
envolve a prática de outros delitos,
como, por exemplo, “o contrabando, receptação
ou produção falsificada de marcas,
além da comercialização
destes produtos, que levam ao desemprego formal,
à concorrência desleal e à
sonegação de tributos em todas
as esferas de arrecadação.
A
fabricação e a distribuição
ilegal de produtos como bebidas, óculos,
perfumes, brinquedos, CDs, DVDs, discos de
vinil, remédios, calçados e
produtos estéticos podem representar
riscos à saúde. Prejudica ainda
as parcerias econômicas internacionais,
gerando um descrédito frente aos investidores
e importadores de produtos brasileiros”
(Ministério da Justiça –
www.mj.gov.br).
No
inicio era o verbo...
Queremos
lembrar também que nos anos 70 e 80
quando não existia MP3 e Internet,
havia um troca-troca, que também era
crime, de fitas cassete e discos de vinil.
Mas para José Antônio Milagre,
presidente da Comissão de Propriedade
Intelectual e Segurança da Informação
da OAB-SP, a violação existia,
mas não se tinha eficácia prática.
Naquela
época, no tempo do vinil, não
existia pirataria como se entende hoje porque
não se podia separar o material do
imaterial. "Disco e músicas compunham
um todo que era o vinil. E assim como um livro,
utilizávamos da 'first sale doctrine',
uma teoria que limitava o direito do autor
à primeira venda. Ou seja, quando eu
ia até a loja autorizada e comprava
um livro ou vinil, o direito patrimonial do
autor se limitava a esta venda. O que eu fizesse
com o livro depois, doasse, vendesse, emprestasse...
isso era problema meu.", lembra.
Sem
a premissa acima, não poderia haver
os famosos sebos, onde se compra livros e
discos antigos a preços inferiores.
O problema começou a surgir quando
a evolução tecnológica
permitiu separar mídia e conteúdo,
além de oferecer inúmeros métodos
fáceis e acessíveis para replicar
e copiar aquele mesmo conteúdo em diversas
outras mídias, como nos casos dos DVDs
e softwares. Logo, a doutrina da "primeira
venda" tornou-se obsoleta, já
que pela lei o direito do autor da obra recai
sobre o conteúdo, esteja ele onde estiver,
independentemente da mídia que o suporta:
seja em um CD ou no pendrive com vários
MP3s.
Não
é à toa que, atualmente, o grande
foco das atenções da indústria
no combate à pirataria é a massificação
do conteúdo pirata: seja na Internet,
em programas P2P para compartilhar arquivos;
ou em grandes centros de produtos piratas.
Mundo afora, diversos sites que coletam links
para download de conteúdo pirata já
foram fechados ou, pelo menos, notificados
judicialmente. Aos poucos, segundo especialistas,
a repressão ocorrerá em cima
dos usuários comuns que compartilhem
grandes volumes de arquivos.
Casos assim já ocorrem nos Estados
Unidos, onde a RIAA (sigla da associação
das gravadoras norte-americanas) processou
e continua a mover ações judiciais
contra pessoas comuns, identificadas em programas
P2P compartilhando músicas protegidas
por direitos autorais.
Diariamente,
ao você ligar a televisão e vê
a polícia colocando os camelôs
para correr. Abre o jornal e lê sobre
as "novas" medidas do governo e
da indústria para conter a pirataria
na internet e nas ruas. Escuta, no rádio,
um executivo garantindo que, ao comprar produto
pirata, você alimenta o tráfico
de drogas.
De
uma hora para outra, sem saber direito onde
foi a curva, trocar arquivos pela Internet
ou até mesmo emprestar um CD para um
amigo se transformou em um câncer que
só faz mal, uma atitude cruel por colocar
dinheiro na mão de traficantes.
Mas
afinal de contas, quais as ações
que se enquadram como pirataria? para advogados,
juristas, executivos, diretores de empresas,
tecnólogos e pessoas comuns, o resultado
é tão subjetivo juridicamente
quanto obscuro na prática. Ou está
formado um “imbróglio”.
Só para se ter uma idéia, ao
fazer uma cópia de um CD que você
comprou na loja, pode, em certos casos, ser
enquadrada como pirataria aos olhos da lei.
E aos olhos da indústria, seria você
um criminoso que, além de piratear,
ainda por cima alimenta o tráfico de
drogas?
Ao
mesmo tempo em que cresce o discurso antipirataria
e a campanha de conscientização,
parece crescer também a demanda por
produtos piratas. Segundo as estatísticas
houve um aumento generalizado no consumo desses
artigos.
O
disco de vinil é a redescoberta do
universo musical no fim desta década,
sim, há um revival do vinil; só
nos Estados Unidos, houve um aumento de 90%
da venda de discos entre 2007 e 2008.
Artistas
pop, como Pitty, estão gostando da
ideia de lançar seus novos álbuns
também em vinil, colocando o bolachão
no arsenal de formatos de disponibilização
de suas músicas (CD, MP3, DVD, LP até
pen drive). Mesmo outros mais respeitados
do que Pitty – Bruce Springsteen, Radiohead,
Elvis Costello, Raconteurs, Cat Power, Depeche
Mode, Los Hermanos, Caetano Veloso, Ed Motta
e outros tantos – também adotam
o formato como forma de agradar um público
específico, e um nicho que parece crescer
tanto não é de ser desprezado
por ninguém. Todos estes novos discos,
somados às também cada vez mas
freqüentes reedições de
LP’s clássicos, formam um espaço
em grandes lojas que não se duvide
que em pouco tempo seja maior que o dos CDs
– se já não o é,
como mostra o acervo de mais de 600 discos
que a Livraria Cultura têm em suas lojas.
O
vinil faz seu sucesso porque vai na contramão
disso tudo que esta aí de cultura digital.
É um produto que vem com arte caprichada,
muito melhor e maior (e também mais
difícil de reproduzir) do que nos pobrezinhos
dos CD’s; só pode ser escutado
por um seleto grupo de consumo que tem um
toca-discos, o que dá um caráter
de exclusividade ao produto, em claro contraponto
à do MP3, que hoje todo mundo escuta
seja num celular ou num player que cada vez
custa menos. O fato de ser um produto exclusivo
ainda agrega um “conceito” ao
vinil, o que instiga o consumo como um ato
necessário para se sentir pertecendo
a um determinado grupinho ou para como salvo
conduto para ser aceito em um grupo.
Piratas
do caribe... PARTE II
Sem
querer entrar em detalhes sobre direitos autorais,
lucros das gravadoras, segurança digital,
narcotráfico, etc., etc., vamos ver
alguns argumentos e fatos utilizados para
justificá-la por aqui.
Nos
anos 70 todo grande colecionador de vinil
queria ter uma cópia pirata de seus
cantores ou bandas favoritas. Calma!!! Não
é o que você esta pensando. Era
uma cópia de um show gravada na mesa
de som do show de modo escuso. Não
era a cópia do disco original de estúdio.
Para constatar o que escrevo, basta ver na
internet quantidade de discos piratas que
foram gravados em shows de Bob Marley, por
onde ele apresentou-se no mundo todo, só
para citar um exemplo.
Pois é, justamente nestes tempos de
eMule, BitTorrent, Kazaa, Soulseek e demais
programas compartilhadores de arquivos, quem
imaginaria fazer uma cópia "pirata"
de um velho disco de vinil? Por acaso não
se encontra facilmente MP3 de tudo quanto
é banda, estilo, álbum...?
Infelizmente
não, nem sempre... Há músicas
que jamais entraram para o mundo virtual on-line.
Estão fadadas aos “bolachões”
e “bolachinhas”, já gastos,
empoeirados, arranhados e abandonados.
Há
também uma outra justificativa, bastante
válida, para se fazer uma "cópia"
de um vinil. Cada vez que se põe um
disco para tocar, a agulha vai gastando e
deteriorando os sulcos responsáveis
pela sonoridade, ao que, após milhares
de audições, o disco reproduzirá
apenas chiado. Então, com a possibilidade
de se ter uma cópia, pronto!, pode-se
ouvir quantas vezes quiser.
Vale
salientar que os melhores de DJ’s do
mundo de vários estilos tocam com seus
próprios arquivos prensados em vinil
especialmente para o seu Set List de apresentação,
normalmente e preferencialmente tocam do vinil,
mas também utilizam o Notebook e CDJ
sempre a partir de seus arquivos e não
de musicas baixada de internet em pendrive,
Ipods da vida ou de cópias piratas
de discos de vinil.
Volta
a comentar que a quase totalidade de musicas
que se baixa da internet não tem qualidade
e isso se nota claramente quando alguns DJ’s
levam Notebooks para colocar em radiola, principalmente
para tocar o Reggae de verdade.
Os
radioleiros estão mais uma vez criando
uma ficção dessa vez a do Notebook,
quando tentam convencer que os MD’s
acabaram, assim como disseram que não
se fabricava mais tape deck de rolo, fitas
cassetes e toca discos. Todas essas formas
de aparelhos continuam sendo fabricadas e
vendidas na Europa, EUA e Japão.
Pirateando o Caribe...
O
Reggae de Radiola construiu um dos maiores
acervos de musicas do vinil que se tem noticias
fora da Jamaica, graças às viagens
de figuras como Jr. Black, Ferreirinha, Dread
Sandro, Natty Nayfson, Serralheiro e muitos
outros. Estas raridades foram exclusividades
das radiolas até enquanto as músicas
não “foram pra rua” como
se diz no linguajar local. Não havia
como se obter acesso as mesmas se não
fosse através de gravações
em fitas cassetes ou comprar os discos fora
do Maranhão.
Nos
anos 90 apareceu no Maranhão a famigerada
coletânea de Roots em CD’s. que
saiam aos borbotões e os arautos do
lucro fácil “vendiam” as
músicas até então exclusivas
ao agenciador/aliciador que as modificava
e as colocava nos CD’s.
Ao
ter em minhas mãos o primeiro volume
fui à loja e fiz o seguinte questionamento:
como foi que produziram no EUA, mas especificamente
em Miami (onde se dizia que o disco tinha
sido gravado), um CD exatamente com todas
as músicas que os maranhenses gostavam.
E como era que um disco produzido lá
tinha não o número de série
de registro que todo o CD originalmente prensado
tem e como os nomes dos cantores e das músicas
estavam escritos errados em inglês.
Podem ter certeza que as respostas dadas pelo
proprietário não foram nada
convincentes.
Depois
que todos se convenceram das falsificações
ficou a sem-vergonhice mesmo. Mas o mundo
do Reggae de radiola passou a girar quase
que exclusivamente ao redor deste cidadão
e suas “produções”
e algumas vezes ele até deu as cartas
deste jogo em programas de radio, festas e
realizações de eventos.
Tive
aproximadamente 10 músicas lançadas
por minha pessoa pirateadas nas coletâneas.
E denunciei a pirataria diretamente para alguns
cantores e bandas.
Mas
vale a pena lembrar que toda Babilônia
tem o seu dia... Demora, mas ela cai. Basta
lembrar como estão hoje os dois produtores
de CDs piratas de Reggae do Maranhão.
E
por mais estranho que possa parecer pessoas
que compravam unicamente as coletâneas
eram chamados de “colecionadores”.
Logo
apareceu outro meio de se fazer músicas
de modo exclusivo que foi a encomenda de “pedras”
para as radiolas com cantores e produtores
da Jamaica.
Ai
entra em cena Joe Gibbs, Bill Campbell, Norris
Cole e Honey Boy e em poucos anos eles são
surpreendidos pelas “produções”
local mais barata.. Novamente as radiolas
mergulharam de cabeça nessa espiral
descendente.
Agora
aparecem os rumores de pirataria do vinil
que afeta diretamente essa Onda Roots que
toma conta de novo da ilha, apesar das radiolas
e suas eletrônicas.
E
é “interessante” ver que
os pseudos arautos da boa nova eletrônico,
agora começam a pintar nas parados
como Roots. Alguns ainda se dizem “das
antigas”. Kkkkkkkkkkk. Haja cara de
pau.
Retornemos
ao ponto fulcral dessa matéria. O fato
de aparecer um disco de vinil com músicas
que até então era exclusividade
de alguns ou de alguém causa ciumeira
e fere sensibilidades, é claro.
É
normal duvidar da procedência do disco
e de sua originalidade, principalmente quando
se trata de uma raridade. Só para citar
um exemplo: Até o presente não
apareceu uma outra cópia do Melô
de Metanol. Falei com Carlton Livingston sobre
essa música e nem ele lembrava de te-la
gravado. Somente após cantar um trecho
da musica ele lembrou e ficou admirado da
mesma está fazendo sucesso depois de
tantos anos e em um lugar que ele nunca tinha
ouvido falar.
Eu
mesmo tenho músicas do vinil que ainda
não apareceram outras cópias
por aqui. Lembrando que a High Vibes tem uma
vinheta gravada com Mr. Livingston cantando
esse melô.
A
título de informação
esta havendo uma série de repremsagens
de discos acontecendo nos EUA e na Europa.
Inclusive já me ofereceram um disco
de vinil (uma bolachinha) reprensado por outra
gravadora agora, diferentemente da que o gravou
originalmente. Eu comprei discos de vinil
em Paris de produções jamaicanas
dos anos 70 em cópias feitas por uma
gravadora da francesa em uma coleção
de vários discos de jamaicanos com
o título de Revival.
E
tem mais, boa partes desses relançamentos
tem mais qualidade sonora do que as gravações
originais, pois estão sendo gravadas
em vinil de 180 gramas e com a nova tecnologia
de gravação de vinil em que
a acústica de gravação
é muito superior ao da original.
Falei
lá sexta feira passada lá no
Bar Túnel do Tempo que a HIGH VIBES
SOUND SYSTEM vai lançar um LP em fevereiro,
com o selo HIGH VIBES com 12 dubplates autorais
gravadas na Jamaica, Londres e Espanha pelo
engenheiro de som Rafael Marin aka Rafa Selektah.
Rafa estará chegando ao Brasil em fevereiro
e estaremos fazendo uma turnê de apresentações
por todo o Brasil em vários Clash’s
e Soundclash’s.
Ou
seja, não se trata de disco pirata.
Todos os cantores foram pagos para tal e as
músicas são de propriedade exclusiva
da HIGH VIBES.
Parabenizo
o Movimento Reggae de Belém. Porque
foi o responsável por esta volta do
vinil em festa no norte e nordeste. Atualmente
todos os points mais bem freqüentados
de Belém tocam somente do vinil. Margalho
e Sonia são duas das figuras mais representativas
desse movimento pró-vinil, juntamente
com Alex Roots, Wanderson e muitos outros.
O
movimento Ludovicense só acordou recentemente
para isso. Joaquim da Radio Zion e Neto Miller
já vinha fazendo em solitário
ao longo dos anos e uniu-se ao Radiola Reggae
de Marcos Vinicius, os dois colecionam discos
desde a década de 80 e tocam com precisão
cirúrgica os anos 70, 80 e 90.
Lembrando
mais uma vez que o Maranhão foi, é
e será sempre o protagonista da música
Reggae no Brasil, por mais que apareçam
DJ’s tocando “pedras raras”
e vendedores de discos piratas ou não,
a fonte inspiradora e a vanguarda terão
que ser creditados a Capital Brasileira do
Reggae.
Todos
tiveram que beber na/da fonte ou tiveram que
vir a Meca.
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