HISTÓRIA
DE ROBERT NESTA MARLEY
O
REGGAE, conhecido e incorporado às mais variadas culturas do
planeta, diz-se que é a música que mais consegue agregar
diferentes tribos, etnias
e nacionalidades.

foto: Chuck Krall
Bob
Marley, o ícone do gênero, o primeiro grande astro vindo
do terceiro mundo, foi uma figura tão especial e carismática
que sua existência tomou ares proféticos. Parece que veio
predestinado ao mundo sob a simbologia da união dos povos e miscigenação.
Fruto
do amor de uma jovem negra de 18 anos, Cedella Booker, e de um homem
branco mais velho, o capitão Norval Sinclair Marley, Bob nasceu
dia 6 de fevereiro de 1945 no vilarejo de Nine Miles, interior da Jamaica.
Em
apenas 36 anos de vida, não só colocou sua pequena ilha
no mapa, como revolucionou a música, hábitos e comportamentos
pelos quatro cantos do mundo.

Aldeia
Nine Miles, onde Marley nasceu. - foto: Adrian Boot
|
Bob
Marley viveu em sua primeira infância uma vida natural do
campo. Quando tinha 8 anos, Cedella, sua mãe, juntou-se a
Toddy Livingstone, pai de Bunny, seu amigo desde a tenra infância
na vila de Nine Miles.
A nova família mudou-se para a capital Kingston, indo se
instalar em Trench Town, uma das favelas mais impressionantes da
ilha.
Cedella trabalhava como doméstica e esforçava-se para
que Bob tivesse uma boa educação matriculando-o numa
escola particular. |
Já
nesta época o garotinho Bob tinha uma ligação
forte com a música. Ele e seu amigo Bunny improvisavam
guitarras feitas de lata e brincavam de acompanhar os sucessos
vindos da América, particularmente de New Orleans, sintonizados
em um radinho transistorizado.
Eles
captavam Ray Charles, Fats Domino, Brook Benton (um dos preferidos
de Marley) e grupos como os Drifters, que eram muito populares
na Jamaica. |
| Nesta
época a juventude jamaicana fervia com esta gama variada
de rhythm and blues americanos, mas ter um rádio transistor
para captar a nova onda era luxo, por isto nomes como Clement Dodd,
Leslie Cong e outros, ficaram famosos por seus sound-systems (sistemas
de som), normalmente um furgão equipado com aparelhagem suficiente
para fazer a rapaziada se animar com os últimos sucessos
chegados dos States. |

foto:
Peter Simon |

Clement
Dodd
foto: Peter Simon - 1976
|
Por
volta dos anos 60, o movimento R&B começou a decair nos
Estados Unidos e tornou-se difícil a aquisição
de discos para satisfazer a dieta insaciável de lançamentos
que o povo jamaicano exigia.
Os
donos dos Sound-Systems se viram então obrigados a investir
no talento dos músicos locais. Começava-se a desenvolver
nesta época na ilha, uma música que incorporava
as tradições musicais jamaicanas com influências
do R&B e das Big Bands, resultando no vibrante som do Ska.
Os
donos de sound systems tornaram-se então produtores. Alugavam
algum estúdio de duas pistas, descobriam algum rapaz que
tivesse o talento de cantar suas emoções vividas
nas ruas de Kingston, e faziam discos. |
Quando
Bob deixou a escola aos 14 anos, parecia ter apenas uma ambição:
a música. Mas, muito para agradar sua mãe, que temia
que ele se tornasse um rudie boy (como são conhecidos os
delinqüentes juvenis na Jamaica), Bob arranjou um emprego
de soldador.
As
horas livres, passava ao lado de Bunny aperfeiçoando suas
habilidades vocais. Eles eram ajudados por um dos mais célebres
habitantes de Trench Town na época, o cantor Joe Higgs,
que dava aulas informais de canto para artistas aspirantes que
estivessem interessados em aperfeiçoar suas habilidades.
Foi
numa destas sessões que Bob e Bunny conheceram Peter Tosh,
outro jovem com grande ambição na música.
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Joe
Higgs -
foto: Peter
Simon
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Bunny,
Bob e Peter - foto: Bob Marley Foundation |
Em
1962 Bob fez uma audiência para o produtor Leslie Cong,
que veio a bancar suas primeiras gravações.
"Judge Not" de composição de Marley, foi a primeira.
Apesar de as músicas gravadas não terem sido
executadas nas rádios e chamado pouca atenção
do público, só vieram confirmar a ambição
de Marley de se tornar cantor. |
|
o
produtor Leslie Cong
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Os
"Wailing Wailers"
foto: Bob Marley Foundation |
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No
ano seguinte Bob decidiu que o caminho a seguir seria montar
um grupo. Se juntou com Bunny e Peter para formar os "Wailing
Wailers".
O novo grupo tinha um mentor, o percussionista Rastafari
chamado Alvin Peterson, que apresentou os garotos para o
produtor Clement Dodd.
No
verão de 1963, Dodd ouviu os Wailing Wailers e, satisfeito
com o som do grupo, resolveu gravá-los e os pôr
prá valer nas paradas. |
|
Os
Wailing Wailers finalizaram seu primeiro single, "Simmer Down"
através do selo de Coxone, durante as últimas semanas
de 1963. Já em janeiro do ano seguinte era a primeira nas
paradas jamaicanas, e se manteve nesta posição durante
os próximos dois meses.
O grupo, Bob, Bunny e Peter juntamente com outro cantor, Junior
Braithwaite e mais duas backing vocals, Berverly Kelso e Cherry
Smith, eram a grande novidade no cenário jamaicano.
"Simmer Down" causou grande sensação na
ilha e os Wailing Wailers começaram a gravar com regularidade
para o legendário Studio One de Coxone.
O
grupo agora criava novos temas se indentificando com os Rudie
Boys das ruas de Kingston. A música jamaicana finalmente
tinha uma identidade e alguém que falava a mais pura linguagem
do gueto. |
Bob
e Rita se casam - foto: Bob Marley Foundation |
| |
Nos próximos
anos os Wailers colocaram mais alguns hits nas paradas da ilha,
o que estabeleceu a popularidade do grupo mas, apesar disto as
dificuldades econômicas que atravessavam fez com que Junior
Braithwaite, Berverly Kelso e Cherry Smith, deixassem a banda.
A mãe de Marley havia se casado
novamente e se mudado para Delaware, nos Estados Unidos, aonde
economizou algum dinheiro para mandar uma passagem de avião
para o jovem Marley, naquela altura com 20 anos. A intenção
da mãe de Bob era que lá ele começasse uma
nova vida.
Mas antes que ele se mudasse para a
América do Norte ele conheceu uma jovem chamada Rita Anderson,
e no dia 10 de fevereiro de 1966 eles estavam casados.
|

O
imperador Haile Sellasie

Bob
e a foto de Sellasie em seu violão - foto: Peter Simon
|
A
estadia de Marley nos Estados Unidos teve vida curta. Ele só
trabalhou lá o suficiente para financiar sua verdadeira
ambição: a música.
Em
outubro de 1966 Bob Marley, depois de oito meses na América
do Norte, retornou a Jamaica. Este foi um período decisivo
na sua formação.
O
imperador Haile Sellasie havia feito uma visita de estado na Jamaica
em abril daquele ano, e durante o período em que Bob esteve
fora, o movimento Rastafari ganhou nova vida nas ruas de Kingston.
Marley começou cada vez mais a se aprofundar dentro da
cultura Rastafari. |
| Em
1967 a música de Bob já refletia sua nova crença.
Ao invés de cantar hinos para os Rude Boys, Marley começou
a compor temas sociais e espirituais, o que se tornou sua marca
registrada e seu maior legado. |
Rita
Marley
foto: Adrian Bo |
Marley
uniu novamente Peter Tosh e Bunny para reorganizar
o grupo. Eles simplificaram o nome original "Wailling Wailers"
para "The Wailers".
Rita
tinha iniciado sua carreira como cantora e alcançou um
grande suceuma música pop ingl |
"The
Wailers" |
A
música jamaicana estava se transformando. O agitado ska
tinha sido substituído por um ritmo mais lento e sensual
chamado rock steady. |
O
compromisso que os Wailers vinham assumindo com o Rastafarianismo
provocou um certo conflito com o produtor Clement Dodd. Então
eles decidiram controlar seu destino fundando seu próprio
selo, Waili'N'Soul.
Devido à ingenuidade dos garotos nos negócios, apesar
de terem conseguido algum sucesso no princípio, a
firma acabou falindo no
final de 1967. |
O grupo apesar disto sobreviveu, inicialmente como compositores
para uma companhia associada ao cantor americano Johnny Nash,
que na década seguinte teve um grande sucesso internacional
com a música "Stir It Up" de Marley.
Os
Wailers também se uniram nesta época ao produtor
Lee Perry, o mago dos estúdios, que transformou as possibilidades
técnicas de gravação em uma forma requintada
de arte. A união dos Wailers com Lee Perry resultou em
algumas das mais belas produções da banda. Faixas
como "Soul Rebel", "Duppy Conqueror", "400 Years" e "Small Axe"
não foram apenas clássicos, mas definiram a direção
do reggae.
|
o
produtor Lee Perry
foto: Peter Simon |
No
início dos anos 70 o baixista Aston "Family Man" Barret
e seu irmão o baterista Carlton se uniram aos Wailers.
Eram eles que formavam a base rítmica dos "Upseters", o
grupo de estúdio de Lee Perry com quem os Wailers tinham
gravado em todas aquelas sessões junto ao produtor. Os
dois irmãos tinham também seu próprio grupo,
os Hippy Boys.
Pode-se
dizer que foram eles que inventaram a síntese "baixo &
batera" do que veio a ser o reggae dos anos 70. |
"Family
Man", Marley e Carlton
foto: Adrian Boot
|

Aston
"Family Man" Barret
foto: Adrian Boot
|
Era
indiscutivelmente a melhor sessão rítmica da época
e o Wailers junto à eles começou a ganhar forma.
Anos mais tarde Family Man numa declaração disse:
- "Nós
éramos a melhor cozinha e os Wailers o melhor grupo vocal
da Jamaica, então nos perguntamos, porque não por
o mundo de joelhos?" |
A
reputação do grupo era aclamada por todo Caribe,
mas continuavam desconhecidos internacionalmente. |
O
baterista Carlton - foto: Adrian Boot |
No
verão de 1971 Bob aceitou o convite de Johnny Nash para
acompanhá-lo até a Suécia, aonde o cantor
americano tinha sido encarregado de produzir a trilha sonora para
um filme suéco.
Enquanto
estava na Europa Marley assinou um contrato com a CBS, que naturalmente
também era a gravadora de Nash.
No verão de 72 todos integrantes dos Wailers estavam em
Londres promovendo ostensivamente o single deles para CBS "Reggae
on Broadway".
Mas assim como o filme de Nash, o projeto fracassou e os Wailers
se viram em maus lençóis numa terra distante.
Como
última cartada Bob se dirigiu aos estúdios da Island
Records e perguntou se podia ver seu fundador Chris Blackwell. |
Johnny
Nash, compositor do sucesso
"I can see clearly now", no princípio dos anos
70.
|
Chris
Blackwell |
Chris
Blackwell um jamaicano branco, descendente de ingleses, pertencente
a uma rica e tradicional família da ilha, havia fundado
a Island Records ainda no final dos anos 50 e já estava
envolvido com a cultura musical jamaicana, mesmo antes da época
do Ska.
A
companhia foi uma das pioneiras em exportar a música jamaicana
para o mundo e na década de 60 se tornou a principal responsável
por lançamentos e divulgação da música
da ilha no Reino Unido, desde o ska, passando pelo rocksteady
até o reggae.
A
Island, ainda nos anos 60 também espandiu seus negócios
para o rock'n roll, tendo em seu "casting" artistas como Traffic,
Jethro Tull, King Crimson, Cat Stevens, Free e Fairport Convention.
Assim,
quando Marley fez seus primeiros passos dentro da Island em 1971,
ele estava se conectando com a mais quente das gravadoras independentes
na época. |
foto:
Bob Marley Foundation |
Blackwell
sabia da reputação de Marley na Jamaica. Tanto o
lado no qual eram conhecidos como um bando de Rudie Boys "problema",
quanto a de que eram de qualidade e fibra inigualáveis
e que, acima de tudo eram muito populares e respeitados tanto
na Jamaica como, já na época, em todo caribe.
Foi
oferecida ao grupo uma oferta de confiança aonde Chris
Blackwell, o contratante, dava um adiantamento de £ 4.000
(o equivalente aproximadamente a US $ 8.000), e uma carta branca
para eles irem para Jamaica e produzirem o material para o primeiro
álbum na Island Records. |
Pela primeira vez uma banda
de reggae tinha este tipo de tratamento, (pode-se dizer) comparável
à seus contemporâneos do rock n' roll, com acesso
ao mais alto nível de gravação. Antes disso,
considerava-se que reggae só vendia discos "singles" ou
coletâneas de baixo custo.
Blackwell foi advertido por várias pessoas a não
confiar tanto assim nos garotos e que possivelmente eles sumiriam
com o dinheiro sem que se visse resultado de gravação
alguma.
Depois de alguns meses os Wailers estavam de volta à
Londres com o material que tinham arrancado de sessões
devotadas, nos estúdios Dinamic e Harry. J., em Kingston.
|
|
 |
Wailers
na Europa - foto: Adrian Boot |
Para
tornar o material mais palatável aos ouvidos do público
internacional, foram acrescentadas às gravações
originais, solos de guitarra e linha de teclados executadas por
músicos ingleses.
A estratégia de Blackwell consistia em promover o carisma
natural dos Wailers como sendo a mais nova e mais poderosa força
musical do mundo do rock.
O
resultado disso, o disco "Catch A Fire",
já chegou quebrando tudo.
Com uma sugestiva embalagem em forma de isqueiro, de onde se retira
o vinil abrindo a tampa, o disco foi pesadamente promovido, iniciando
a partir daí a escalada internacional do sucesso e reconhecimento
de Marley. |

O
disco "Catch A Fire". |
| A cadência de Marley,
aliada a suas letras engajadas contrastavam completamente com o
que rolava no cenário do rock da época. A gravadora
decidiu que os Wailers deveriam excursionar fazendo shows tanto
no Reino Unido, como também nos Estados Unidos, de novo uma
completa novidade para uma banda de reggae. |

|
A
banda embarcou numa excursão pela Europa, o que a solidificou
em suas performances ao vivo.
Depois de três meses voltaram à Jamaica, e Bunny,
decepcionado com a vida na estrada, se recusou a participar da
tour pelos Estados Unidos. Foi substituído por Joe Higgs,
o mestre musical dos ainda adolescentes Wailers, nos tempos de
Trench Town.
Nos
Estados Unidos os Wailers lotaram alguns clubes noturnos e abriram
shows para artistas como o jovem Bruce Springsteen. A repercussão
da banda em sua turnê andava tão bem que foram arranjadas
17 datas para os Wailers abrirem os shows de Sly & The Family
Stone, na época a maior banda de black music da América.
foto:
Island Records |
Depois de
abrir quatro shows para Sly, os Wailers foram limados da
turnê. Pelo que parece, os Wailers faziam sombra para o
show que deveria ser a atração principal.
De qualquer maneira seguiram para
São Francisco aonde gravaram uma audição
ao vivo para a pioneira rádio rock, KSAN. Sessão
esta que veio a se tornar o material para o disco "Talkin'Blues",
lançado em 1991 pela Island Records. |
O
primeiro sinal de que a projeção de Bob Marley como
astro internacional estava garantida viria através de um
presente de Chris Blackwell, para o proeminente novo artista de
seu casting.
Logo após o impacto do LP "Catch a Fire" no mercado
europeu, Blackwell entregou à Marley as chaves da Island
House, uma imponente mansão situada na Hope Road Avenue,
parte rica da cidade, inclusive muito próxima à
sede do governo, que ficava rua abaixo com seus imensos jardins.
Em
pouco tempo o novo "yard" de Marley se tornaria um núcleo
de criação e uma espécie de comunidade, com
livre acesso para toda família, amigos do gheto, sacerdotes
rastas, namoradas de uns e outros, músicos, jornalistas
estrangeiros, e mais alguns outros que eventualmente aparecessem
pra jogar aquele futiba improvisado no final de tarde. |
Island
House - foto: Peter Simon |
Relax
na Island House - foto: Peter Simon |
Este
clima de euforia de uma nova vida comunitária religiosa
e criativa encontraria sua tradução no disco "Burnin",
segundo lançamento dos Wailers pela Island Records.
Na contracapa de "Burnin", Marley aparece mais uma vez provocando
as normas estabelecidas do sistema, empunhando um enorme cigarro
de palha em forma de cone, provavelmente recheado com ervas ainda
não legalizadas. Na parte interna do álbum, fotos
de pessoas do gueto, rastas e um contraponto entre a riqueza de
sorrisos do povo em uma ilha ensolarada e a miséria propriamente
dita.
As músicas com um conteúdo ainda mais politizado
e social que as do álbum anterior atingiam o público
branco da Europa e Estados Unidos com "pedradas" como "Get
Up Stand Up" , "I
Shot the Sheriff", "Burnin
and Lootin", etc.
Uma verdadeira revolução. |
Celebridades
como Paul McCartney, Mick Jagger e toda essa galera de peso começa
a pagar o maior pau pro exótico jamaicano Marley.
O lendário Eric Clapton ressurgiu como Fênix gravando
"I shot the sherif", versão que atingiu os primeiros
lugares nas paradas, colocou o guitarrista inglês novamente
no cenário e ajudou a alavancar ainda mais a carreira de
Marley. |

foto:
Adrian Boot |
Em
fevereiro de 1975, "Natty Dread" foi lançado.
Graças ao sucesso da faixa "No Woman No Cry", que
atingiu o primeiro lugar na parada inglesa, Marley se tornou ainda
mais popular. |
| A
essa altura o grupo já não contava mais com Bunny
e Peter, que partiram para suas carreiras solo e foram substituídos
pelas I-Threes,as cantoras Judy Mowatt, Marcia Griffiths
e a mulher de Bob, Rita Marley. |
Judy,
Rita e Marcia (esq p/ dir). - foto: Adrian Boot |

Ilustração
baseada na capa central do disco "Rastaman Vibration".
Em destaque: Marcus Garvey e o Imperador Haile Selassie. |
Com o lançamento
do próximo disco,
"Rastaman Vibration", em 1976, o cantor
começou a ser conhecido nos Estados Unidos.
Na Jamaica sua
fama já era quase mística, e em grande parte graças
a ele, o pensamento rastafari estava se tornando uma febre entre
os jovens.
Disputava-se aquele ano uma das mais sangrentas batalhas eleitorais
na história da ilha. A violência era tanta que em
junho foi decretada a lei marcial. Em meio a este quadro também
havia o fato de o imperador Haile
Selassie, considerado pelos rastas como Messias, ter falecido.
|
Nos
últimos dias de novembro, a situação estava
ficando preta.
Bob iria participar, no dia 5 de dezembro, de um show promovido
pelo PNP (partido de cunho socialista presidido por Michael Manley),
para supostamente apaziguar as tensões antes das eleições,
marcadas para dali uns dias. Manley, na oposição,
tentava atrair para si o prestígio que a comunidade rasta
adquiria na ilha, acenando com uma possível legalização
da ganja (maconha) e um plano de governo socializante, inclusive
com uma maior aproximação com a vizinha Cuba.
Uma
semana antes do evento, um esquema de segurança armado
pelo partido foi instalado 24 horas por dia diante do número
56 da Hope Road, casa de Marley. |
Dois
dias antes do show, porém, a casa foi invadida por
um grupo de pistoleiros que adentrou a sala aonde Marley
estava ensaiando, e disparou tiros em todas as direções,
com o intuito de matá-lo. Miraculosamente ninguém
foi morto no ataque noturno.
Don Taylor, empresário de Marley estava se aproximando
dele no exato momento em que os homens começaram
a disparar, levando
vários tiros e tendo como legado deste fato uma vida
sobre a cadeira de rodas.
Um carro de polícia que passava nos arredores entrou
em cena no auge do pandemônio, assustando os pretensos
assassinos e levando-os a uma rapidíssima retirada.
Rita Marley levou um tiro de raspão na cabeça.
O projétil ficou alojado em seu couro cabeludo.
Marley recebeu um tiro que raspou seu peito logo abaixo
do coração e penetrou profundamente em seu
braço esquerdo.
O caso de Marley foi o menos grave entre os atigidos, sendo
o primeiro a sair do hospital. |
|
Marley
com a roupa ensanguentada, após o atentado. |
Após
ser liberado pelos médicos, Marley foi levado às pressas
sob a escolta da polícia e de amigos mais próximos
à um esconderijo no alto das "Blue Montains".
No dia 5 de Dezembro, Bob, depois de muitas conjecturas, resolveu
subir ao palco do festival. Ainda com os curativos, Marley se apresentou
no "Smile Jamaica", representando enquanto cantava, a
cena da emboscada, e depois mostrando para o público seus
ferimentos. |
foto:
Adrian Boot |
Logo
após o show o cantor mudou-se para Londres, onde gravou
seu disco "Exodus".
A partir
de então o sucesso do grupo só aumentou e cada disco
lançado figurava nas primeiras posições das
paradas inglesas e americanas. |
Em
1978 o cantor recebeu a medalha da paz, oferecida pela ONU, em
Nova Iorque.
No
mesmo ano foi, pela primeira vez, à África, onde
visitou o Quênia e a Etiópia, país especialmente
reverenciado pelos rastas, terra do imperador Haile Selassie,
considerado por eles como seu messias.
Depois
de uma nova turnê pela Europa e EUA, o grupo lançou
o disco ao vivo "Babylon By
Bus", e tocou na Austrália, Japão
e Nova Zelândia. |
The
Wailers - Abril - 1980 - foto: Adrian Boot
Em cima, da esq. para dir.: o baterista Carlton Barrett, Bob Marley,
o percussionista Alvin Patterson, e o guitarrista Al Anderson.
Embaixo, da esq. para dir.: o tecladista Earl Lindo, tecladista
Tyrone Downey, o baixista Aston "Family Man" Barrett
e o guitarrista Junior Marvin. |
Com
seu nono álbum, "Survival",
de 79, Marley já havia tornado o reggae um estilo internacional,
conhecido no mundo todo.
A
África era o único continente em que o grupo ainda
não havia se apresentado, mas em 1980, Bob Marley foi convidado
a se apresentar com os Wailers na cerimônia de independência
do Zimbabwe. |
Em maio de 1980 foi lançado "Uprising",
sucesso instantâneo no mundo inteiro com hits como "Could
you be loved" e a comovente faixa de encerramento "Redemption
Song", além de outras pedradas como "Work"
e "Coming In From the Cold".
Os Wailers embarcaram na sua maior turnê
européia, arrasando quarteirões em todos os lugares
em que passaram, incluindo o legendário show em Milão,
Itália, com público estimado em 100.000 pessoas,
recorde absoluto até então para qualquer banda
do mundo.
Bob Marley & the Wailers eram simplesmente
a banda em turnê mais importante daquele ano e o álbum
"Uprising" bateu todas
as paradas de sucesso no continente europeu. Foi um período
de máximo otimismo na carreira de Marley.
Planejava-se para o inverno daquele ano uma
turnê americana ao lado de Stevie Wonder. Após
a turnê européia Marley e a banda partiram para
os Estados Unidos.
|
Marley na passagem de som de seu último
concerto.
foto: Adrian Boot |
Marley fez dois shows no
Madison Square Garden. Durante a segunda apresentação,
passou mal no palco. Começou a ser averiguado o que se
passava com o ídolo do reggae.
Bob chegou a fazer ainda mais um show em Pittsburgh,
mas logo o mundo recebeu a triste notícia de que Marley
estava com câncer.
O câncer teria sido decorrente de
um ferimento infeccionado no dedão do pé, que ele
teria sofrido três anos antes, durante uma partida de futebol
em Londres.
|
Ele lutou com a doença
durante oito meses buscando tratamento na clínica do Dr.
Joseph Issels na Bavária. Durante algum tempo o estado
de Marley parecia ter se estabilizado com o tratamento naturalista
do Dr. Issels, mas em Maio, já abatido quase que totalmente
pela doença Marley resolveu retornar
para sua casa na Jamaica, jornada que ele não conseguiu
completar. |
O
Rei do Reggae faleceu numa Segunda-feira, dia 11 de maio de 1981,
no hospital, em Miami. |

Homem
segura claquete de filmagem:
"Scene 1, Take 1; Marley's Funeral".
foto: Adrian Boot |
Numa
Quinta-feira, 21 de Maio de 1981, foi feito o funeral oficial
do Honorável Robert Nesta Marley O. M., realizado
com toda pompa de estado, e com a presença do então
primeiro ministro, Edward Seaga, e também a do líder
da oposição Michael Manley.
|
| Um
mês antes, Marley havia sido condecorado pelo seu país
com a honraria da Ordem do Mérito da Jamaica, em reconhecimento
a enorme contribuição à cultura de sua terra. |
O
corpo de Marley foi levado à Nine Miles, sua terra natal,
na parte norte da ilha, e enterrado onde é conhecido hoje
como o mausoléu Bob Marley.
Cedella
Booker, mãe de Marley, no funeral. - foto: Adrian Boot>>
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|
Bob
Marley morreu aos 36 anos de idade,
mas seu legado permanece vibrando ao som de sua música.
foto:
Adrian
Boot
Robert
Nesta Marley
(06/02/45 - 11/05/81)
|
fonte: reggae.com.br
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