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Tarcisio Selektah
 
 
 
 
 
 

A “polêmica” do Melô


Tarcisio Selektah

Gostaria de publicar aqui uma intervenção minha e de forma mais ampliada, de um debate promovido pelo grande regueiro de Belém chamado Daniel Morais sobre a “polêmica” do Melô. Onde se discutia o Melô como sub-cultura e que os DJs se “apropriavam” do trabalho de um cantor ou banda como se fosse propriedade dele.

Foi uma discussão muito saudável em que várias pessoas participaram e deram suas opiniões e impressões. Aproveito agora e faço algumas revisões e ampliações do que comentei nesse debate.

Ao entrar na conversa disse o seguinte a Daniel: “Permita-me o reverso do teu verso. Bom, pra começar essa história do Melô não é sub-cultura. Melô vêm de melodia, como já tu deves saber (Portanto, é errado se falar ‘o Melô’, pois o correto gramaticalmente seria falar ‘a melô’). Isso começa nos anos 70 aqui no Brasil. e nos países de língua hispânica. Os discos de vinil já vinham com um escrito na capa Melô disso ou daquilo, porque essa era a musica de maior sucesso do disco. Ou seja, a música do momento. E isso foi transladado para musica chegadas aqui em inglês como melô do Macaco, melô da SWAT, melô da maçã, Melô de Sol de Verão, melô de passarinho, melô de Uirapuru, etc., etc. Claro, que a indústria fonográfica de Belém também tempo parte dessa “culpa” com os discos produzidos por Carlos Santos na década de 80. Lembra??

Aqui, em São Luis, no movimento reggae de radiola, começou usar este subterfúgio devida à total falta de intimidade, ou conhecimento, com o inglês. Ficaria ridículo se os DJs fossem tentar dizer o nome do cantor e o nome da música em inglês. E ainda hoje há alguns que estão nessa situação. Muitos dos DJs de décadas atrás tinham só a 4ª série primaria, pouquíssimos tinham o segundo grau (ensino médio).

A musica “exclusiva” era um negocio para os radioleiros. E ter uma musica exclusiva, significava ter um público cativo que “perseguia” as radiolas com as melhores seqüências por toda ilha. Uma das mais “perseguidas” era a Voz de Ouro – Canarinho do Magnata Serralheiro, lotadas de exclusividade compradas em Belém, São Paulo e Rio de Janeiro; depois em Londres e Jamaica. Não podemos esquecer que a estratégia de raspar os discos e esconder as capas também foi utilizada na Jamaica dos anos 50 e 60 pelos donos do Sound Systems Jamaicanos, que compravam seus discos na Florida e na região do Mississipi e New Orleans, Ok?

Na atualidade o inglês ficou acessível a todos, a internet facilitou muito esse trabalho de pesquisar musica e divulgar os cantores e bandas. Entra em um site faz um pedido e recebes o disco ou CD em casa ou baixo na NET com um Soulseek da vida. Agora tá tudo “mel na chupeta”. Na década de 70, 80 e 90 esses radioleiros e DJs tinham que literalmente ‘garimpar’ as lojas em buscas das ‘pedras’ em suas viagens, ou seja, ele tinha que ir ao encontro das ‘pedras’; “bamburrando” os discos e mais discos dentro das lojas durante horas e dias. Um trabalho físico e mental exaustivo.

Digo sempre para os DJs de hoje que eles fazem “festa com o chapéu dos outros”, porque quase 80 a 90 por cento das musicas que eles tocam hoje, já foram lançados por outros DJs a 3 ou há 4 décadas atrás.

O que existe muito hoje é DJ de internet, que passa horas a fio baixando musicas do youtube e depois exibem suas raridades (sic!) no notebook. Em sua grande maioria não sabem quem produziu, quem toca no discos, para qual gravadora. Poucos se preocupam com esse “detalhe”. Tu eis muito feliz quando fazes isso no teu espaço de divulgação.

Daniel Morais diz: Sua contribuição é sem duvida espetacular, pois além do resgate histórico, fica claro o exemplo que o preconceito muitas vezes, vem dá falta de conhecimento de determinado assunto, e este espaço tem essa função principal, levantar questões relacionadas ao reggae para serem discutidas por todos, como vc mesmo disse, hoje apenas seguimos passos que outros já deram, afinal "Um povo que não conhece a sua história está condenado a repetí-la" Obrigado grande irmão e sinta-se a vontade para comentar outros assuntos...

 

 
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